Fisioterapia no pré-operatório

Planejamento

A avaliação pré-operatória inclui ampla análise da saúde geral do paciente, associada ao exame físico e ao histórico médico detalhado. Problemas observados em cirurgias anteriores também são dados fundamentais a serem considerados pelos profissionais que irão realizar a avaliação pré-operatória.

Dados importantes a serem divididos com seu profissional de saúde antes da lipoabdominoplastia:

➢ Tabagismo (atual e acumulativo).

➢ Discussão dos riscos de sobrepeso e obesidade, principalmente quando apresentar um IMC (Índice de massa corporal) acima de 30 kg/m²

➢ História prévia de TVP (trombose venosa profunda) e fatores de riscos.

Nas avaliações é importante discutir com o profissional de saúde e tirar suas dúvidas de assuntos como: dietas, função intestinal, nível de atividade e regularidade de exercícios, medicamentos, histórico de tendências hemorrágicas e histórico de doenças cardiopulmonares.

A eficiência de uma cirurgia plástica não depende, porém, somente do planejamento estritamente cirúrgico. Os cuidados pré e pós-operatórios oferecidos pela fisioterapia são fatores preventivos de complicações e promoção de um resultado estético satisfatório. Os recursos terapêuticos dos quais dispõe o fisioterapeuta na preparação do tecido para a intervenção cirúrgica irão acelerar a recuperação pós-operatória, além de prevenir e controlar algumas complicações comuns.

O que o fisioterapeuta faz no pré-operatório?

No pré-operatório os profissionais poderão avaliar possíveis alterações físicas, motoras e sensitivas já existentes nos pacientes, oferecendo tratamento e orientações adequadas para prevenir complicações pós-operatórias, principalmente àqueles com fatores de risco.

A fisioterapia respiratória pode ser de grande valia neste momento, pois a abdominoplastia leva a um aumento da pressão intra-abdominal (PIA) mesmo em pacientes sem prévias complicações.

Após a abdominoplastia, o diafragma necessita de uma força maior que o normal durante a inspiração devido a uma redução na complacência da parede abdominal (ou seja, o quanto de expansão o abdômen realiza) e a um aumento acentuado na contração diafragmática (músculo fundamental na respiração). No pós-operatório tardio, a correção da diástase dos retos abdominais e a redução da gordura abdominal podem auxiliar na melhora da função pulmonar, mas o mesmo não ocorre no pós-operatório imediato.

A espirometria é um exame realizado pelo aparelho chamado espirômetro. É uma prova de função pulmonar de simples execução, mas com grande importância na prática clínica. Este exame mensura os volumes estáticos e dinâmicos e as capacidades pulmonares.

Na pesquisa de Rodrigues et al (2018), o programa de fisioterapia respiratória realizado uma semana antes da abdominoplastia, com um conjunto de exercícios respiratórios supervisionados por um fisioterapeuta três vezes por semana e com orientações para a realização dos exercícios em casa diariamente, demonstraram nestes pacientes uma PIA mais baixa no início da cirurgia e em todos os outros momentos, quando em comparação com o grupo controle (de não intervenção). A conclusão desta pesquisa é que não houve impacto nos parâmetros da espirometria, mas pode ter reduzido os níveis de PIA medidos no intraoperatório.

Os cuidados pré-operatórios não são uma realidade para a maioria dos pacientes. Normalmente são focados apenas no pós-operatório. A literatura também demonstrou que a maioria dos pacientes não realizou procedimentos pré-operatórios e aqueles que os fizeram relataram tê-los feito com seus médicos.