A ausência de encaminhamento ou encaminhamento tardio ao pós-operatório pode retardar a recuperação do paciente e até comprometer o resultado da cirurgia plástica.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) recomenda que o pós-operatório, seja realizado por fisioterapeutas.
O processo cicatricial se divide em fases, independente do tipo de trauma, técnicas cirúrgicas, particularidades e características individuais de cada organismo. As principais etapas são: fase inflamatória, fase proliferativa e fase de remodelamento.
A fase inflamatória é uma reação ao trauma e uma tentativa de recuperar a capacidade do organismo de manter seu meio interno em estabilidade, mecanismo a que chamamos homeostase. Começa com o extravasamento sanguíneo, seguido de uma agregação plaquetária e geração de uma matriz de fibrina, que vai, por exemplo, buscar impedir a contaminação da área ofendida. Acontece logo após o término da cirurgia e compreende as 48 e 72 horas iniciais.
A fase proliferativa é responsável pelo fechamento da lesão e compreende três subfases. Tem início por volta do terceiro ou quarto dia e se prolonga pelo período de duas a quatro semanas.
A fase de remodelamento é caracterizada pela tentativa de regeneração tecidual normal, quando o tecido se enriquece com mais fibras colágenas e adquire características de cicatriz. Esta é a última das fases e pode durar meses.bras colágenas e adquire características de cicatriz. Esta é a última das fases e pode durar meses.
Este é um resumo didático, mas não necessariamente estas fases ocorrem sequencialmente e pelo tempo exato apontado na literatura. Elas podem se sobrepor e apresentar fases diferentes em um mesmo corpo, como, por exemplo, fase inflamatória no abdômen e proliferativa em flancos. Cada uma traz repercussões e características específicas para os tecidos.
A atuação do profissional no pós-operatório deve respeitar as características clínicas de cada fase e o próprio trauma cirúrgico para realizar as intervenções necessárias. Ou seja, cabe ao fisioterapeuta analisar em que fase o paciente se encontra e decidir as condutas adequadas a cada indivíduo e as orientações para serem realizadas em casa, como por exemplo os cuidados com a postura nas primeiras semanas para não ocorrer o estiramento da cicatriz, por meio de orientações para que os pacientes deitem em decúbito dorsal, ou seja de barriga para cima, com travesseiros embaixo das pernas e as costas levemente elevadas para proteger a cicatriz, sem deixar de favorecer o conforto do paciente.
É importante diferenciar para o paciente que repouso é diferente de imobilidade (ausência de movimento). O movimento é terapêutico, inclusive para a circulação, mas neste primeiro momento o paciente deve respeitar seus próprios limites. Por exemplo, pode curvar um pouco as costas ao andar, projetando seu peso nos músculos da coxa para não sobrecarregar a coluna, evitando que o corpo ereto estire a cicatriz ou gere sensação de "repuxar". A volta à postura ereta ocorre gradativamente com o suporte do profissional de saúde, cirurgião e fisioterapeuta, que estarão avaliando constantemente o paciente e seus relatos.
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